ESSA RAIVA NÃO É SUA

ESSA RAIVA NÃO É SUA

Se nossas emoções não correspondem ao que realmente somos, então não precisamos ser parte delas – esta é a chave para nos libertarmos do sofrimento

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Muitas pessoas buscam uma resposta a sobre como lidar com sentimentos negativos, sejam eles direcionados a elas mesmas (como a auto-depreciação, a falta de confiança ou o pessimismo), ou a outras pessoas (como o ciúme, a inveja, o ressentimento).

Dentre as diversas publicações que encontrei ao pesquisar sobre esse tema (a maioria delas contendo apenas algumas indicações superficiais), um vídeo do líder espiritual Sri Prem Baba me foi muito esclarecedor. Neste vídeo, ele reflete justamente sobre nossas oscilações emocionais, e suas palavras iluminaram bastante minha mente a respeito de como tentar superar estes momentos ruins e aplacar o sofrimento.

Baba começa falando que nosso objetivo tem que ser, primeiramente, buscar distinguir o real do ilusório, com o intuito de reconhecer a dualidade e transcendê-la. A dualidade, no caso, é essa variação de emoções que experimentamos no decorrer do nosso dia-a-dia – alegria e tristeza, egoísmo e altruísmo, empatia e indiferença, entre outras – as quais, segundo ele, são manifestações transitórias e que não correspondem ao que realmente somos. Por isso, temos que trabalhar para alcançar aquilo que em nós não é dual, que não se divide, que é a nossa essência.

E como fazer isso? Podemos começar criando uma consciência a respeito do nosso ego e compreendendo que nosso corpo, nossos pensamentos e sentimentos são resultado das ações dele. Assim, conseguiremos nos dissociar da mente, e entender a mecânica do ego – na qual reina na dualidade. É necessário que o observemos e não nos identifiquemos com ele, não sigamos seus comandos e desta forma, geremos uma mudança de consciência. Novamente, vamos tentar ir além a dualidade e encontrar dentro de nós o que não pode ser dividido.

Para que essa transformação ocorra, é fundamental que haja conhecimento e prática. Temos que entender que nós não somos os aspectos da dualidade, não somos nada que seja transitório, mas nosso corpo, nossas emoções, nossos pensamentos e nossa história são.

Para exemplificar, Baba faz uma analogia usando como referência um veículo, que representaria nosso corpo e mente. O verdadeiro “eu” é aquele que está ocupando o veículo. Muitas vezes pensamos que somos o próprio veículo, mas na verdade, nossas emoções e pensamentos são somente representações desse veículo, são instrumentos, e quando não sabemos utilizá-los adequadamente, cremos que somos também um instrumento ou um produto desses instrumentos.

Por esta razão, acreditamos que somos as nossas emoções – o ciúme, a raiva, a inveja – justamente porque nos identificamos com essas manifestações, mas lembre-se: a dualidade é sempre transitória; as vezes somos bons, outras vezes ruins, contudo, temos que trabalhar para ir além dessas identificações.

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“Quando você puder observar o que é transitório sem se identificar, você terá encontrado a saída do labirinto da mente”, Baba afirma. E isso requer persistência, muitas vezes passamos um longo tempo em um determinado ciclo, o que nos gera desequilíbrio, pois um dos aspectos do ego é a necessidade de controle dos resultados das nossas ações. Quando nos identificamos com a estrutura do ego, acabamos nós mesmos controlados por ele: “o ego tem uma história para provar, afirmar, confirmar, e por isso ele tem que controlar os resultados, (…) gerando frustração, raiva e mais desejo, (…) como um ciclo vicioso, e esse estresse pode destruir todo o equilíbrio da química do corpo, causando, inclusive, problemas físicos”, ele conclui.

Com essa tomada de consciência, veremos que eu-real não está sujeito a variações de humor ou de elementos, ele é sempre o mesmo e pode conscientemente alterar ou ajustar o “veículo”. Resumindo: o desequilíbrio surge no mundo mental e no emocional por causa da nossa identificação com as expressões do ego.

Quando perdemos nossa necessidade de controle, entendemos que somos apenas um meio para a criação ou a destruição, somente testemunhas, vemos “o rio fluindo em direção ao oceano, sem bloqueios, até que o rio e o oceano se tornem um só”, nas palavras do guru.

Precisamos renunciar ao fruto das nossas ações e não nos apegarmos à necessidade de reconhecimento, pois é assim que nos frustramos, alimentamos a raiva, o desejo, a vingança ou a vaidade, e continuamos presos nesse ciclo vicioso.

Para Baba, este processo é uma passagem natural na evolução, precisamos ter um ego para que assim nos esforcemos a ir além dele. E quando tivermos êxito, chegaremos a um ponto em que a questão não será mais aprender a lidar com dores ou traumas, mas saber como nos tornarmos senhores de nós mesmos. Para Baba, essa é a meta das nossas vidas: nos tornarmos senhores de nós mesmos.

O vídeo na íntegra pode ser visto aqui:

 

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