JOY DIVISION

JOY DIVISION

Ian escrevia letras auto-biográficas em que, apesar da poesia inerente, o fim, a despedida e a morte pareciam próximos. O que para o público e para os próprios colegas era simplesmente poesia\arte, era, na realidade, a descrição da dor e dos problemas que Curtis vivia magistralmente transformados em poemas.

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Já dissertei num outro artigo meu o que pensava sobre Ian Curtis e o seu legado na música contemporânea. Pretendo debruçar-me neste artigo, tentando não me repetir, sobre a banda enquanto grupo e a sua importância para a música não esquecendo o carisma que Ian Curtis inegavelmente concede á banda com os seus belos e sentidos poemas.

Estamos em Manchester em 1976. Por entre uma cidade cinzenta, escura, cheia de fábricas abandonadas e espírito descrente nasceu uma banda especial: Os Joy Division ou melhor Stephen Morris o baterista, Peter Hook baixista, Bernard Sumner, o guitarrista e Ian Curtis o vocalista poeta. O punk estava no auge, os Sex Pistols arrasavam por cada concerto que faziam e a corrente punk alastrava a uma velocidade vertiginosa. Era uma atitude de rebeldia niilista, de inconformismo exacerbado contra a sociedade e contra o sistema político vigente. No entanto, como resposta a este espírito revolucionário surgiu um outro: um revolucionário introspectivo. Um estilo a roçar o romantismo, em que impera a poesia, capaz de expressar os nossos sentimentos mais íntimos de maneira obscura, sentida e profunda.

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Influenciados pelos “The Doors”, “The Velvet Underground” e “David Bowie” os Joy Division nasceram como Warsaw, versão punk dos futuros Joy Division. Músicas como “They Walked in Line” transportam-nos muito bem para o peso que o punk tinha, de facto, na altura. Com a mudança de nome, o estilo tornou-se mais introspectivo de facto. O nome em si trazia uma conotação pesada e negativa pois significa uma divisão nos campos de concentração nazis em que as judias prisioneiras eram sujeitas a escravidão sexual.

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A banda lançou apenas dois álbuns em sua carreira tragicamente interrompida pela morte de Ian Curtis, o carismático vocalista. O álbum de estreia, Unknown Pleasures, de 1979 editado então pela Factory, é recebido pela crítica com sucesso e a banda consegue importantes actuações ao vivo como no próprio programa de Tony Wilson na BBC2. As músicas “Shadowplay” e especialmente “Transmission” tornam-se populares. A própria art work da capa também causa sensação. A imagem da morte de uma estrela é uma capa marcante na história da música. A banda inicia uma digressão pela Grã-Bretanha com os Buzzcocks, uma famosa banda punk da altura e cria a partir dai uma legião da fans chamada de ” agitados jovens de gabardine cinzenta”. Claramente, uma imagem de marca de Ian Curtis.

As performances ao vivo tornam-se marcantes, quer pelo som da banda, quer pela dança inusitada de Ian Curtis, devido ao agravamento da epilepsia de que sofria, facto desconhecido para o público. Nenhum membro da banda suspeitava, mas no entanto, Ian escrevia letras auto-biográficas em que, apesar da poesia inerente, o fim, a despedida e a morte pareciam próximos. O que para o público e para os próprios colegas era simplesmente poesia\arte, era, na realidade, a descrição da dor e dos problemas que Curtis vivia magistralmente transformados em poemas.

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Enquanto gravam o segundo álbum “ Closer” os problemas em torno de Ian Curtis tornam-se mais evidentes. Após a conclusão do álbum, marcam aquela que seria a primeira digressão internacional da banda pelos EUA. Nunca se viria a concretizar. Em Maio de 1980 Ian Curtis comete suicídio e o álbum sai apenas em Julho tornando-se póstumo. O disco chega a número seis nos tops ingleses e é aclamado pela crítica tornando-se uma influência enorme para o movimento post-punk da década de 80. Após a morte de Ian Curtis a banda terminou e os seus antigos membros, Peter Hook, Bernard Sumner e Stephen Morris continuaram e formaram os New Order mais virados para a New Wave. O primeiro single dos New Order “Ceremony” contém as duas ultimas letras escritas por Ian Curtis. Depois disso a compilação “Still” lançada em 1981, com actuações ao vivo e raras canções é talvez a mais marcante do género juntamente com a compilação “Substance” que contém lados B de grande qualidade.

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Bandas como os The Cure, Bauhaus, The Smiths, Siouxie and The Banshees seguiram a sonoridade sombria e melancólica dos Joy Divison tornando-se referências para estas. São ídolos também para bandas como os Radiohead, para Billy Corgan dos Smashing Pumpkins e Trent Reznor dos Nine Inch Nails entre outros. Actualmente, com o movimento post-punk revival, os Joy Division continuam a influenciar muitas bandas por esse mundo fora como os Interpol e os Editors.

Curiosamente, talvez a música mais conhecida pelo público em geral seja a “ Love Will Tear us Apart” que não fez parte de nenhum álbum oficial mas é sim um single lançado em 1980 após a morte de Ian Curtis. Considerada em sondagens musicais como um dos melhores singles ingleses de sempre, vale pois, bem a pena ouvir e recordar o legado desta banda única do panorama musica mundial.

 

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