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EMPATIA NÃO É SIMPATIA – E PRECISA-SE!

EMPATIA NÃO É SIMPATIA – E PRECISA-SE!

Empatia, simpatia e compaixão: é fácil de confundir, não é? Mas não são a mesma coisa. Nos maus momentos, não bastam sorrisos educados e palmadas no ombro; a empatia implica entrar no mundo de alguém e deixá-lo entrar no nosso, através da mais íntima e profunda partilha da dor. Não queremos piedade, queremos conexão. Quem se atreve a fazer a diferença?

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Não é simpatia, muito menos compaixão. Andamos assoberbados com as inerências do frenético séc. XXI, com demasiada pressa para nos ouvirmos uns aos outros e facilmente confundimos os conceitos. Dar uma palmada nas costas não é sentir empatia por alguém, não é colocar-se ao nível da sua dor, de uma situação má ou de mero desconforto.

Mas comecemos pelo…início.

Somos simpáticos por natureza ou por necessidade, porque simplesmente somos bem-dispostos ou para socializarmos e sermos olhados positivamente pelos demais. Pode ser considerado um elemento de “sobrevivência” social, no extremo da questão. Mas isto consiste, tão somente, em ser (ou parecer) agradável, sorridente, aberto à comunicação. Conseguem-se identificar os sentimentos alheios e relacionar-se de forma positiva, mas não obrigatoriamente profunda. E este, sim, é o conceito que faz a diferença.

Do mesmo modo, criou-se alguma confusão com a ideia de compaixão. Na verdade, este é um sentimento de piedade ou tristeza pelo infortúnio de alguém, uma perspectiva exterior da situação alheia, que não nos leva para lá da linha de sofrimento. Compreensão e solidariedade são conceitos que também cabem nesta linha de pensamento, mas que, nem por sombras, caracterizam, por si só, alguém empático. Mas calma, estamos a chegar mais perto do ponto fulcral.

Empatia, enfim. Comparativamente à simpatia, tem um carácter mais profundo no que diz respeito à percepção dos sentimentos das pessoas que nos rodeiam e com as quais nos relacionamos. De uma maneira simplista, podemos afirmar que não é mais do que olhar para as situações através dos olhos de quem nos conta, entrando nessa esfera e partilhando os sentimentos acoplados. A compreensão e solidariedade, apontados como sinónimos ou elementos da compaixão, acabam por ter a sua quota-parte de espaço também neste conceito, mas não sendo apenas isso. Porque, de facto, o que acontece é uma transposição, uma aquisição emocional e não um relato meramente externo do qual nos podemos distanciar.

Como muitas (senão todas) as qualidades, a empatia pode – e deve! – ser desenvolvida. Logo à partida, e parecendo óbvio, mas tantas vezes esquecido, é necessária uma libertação relativamente ao nosso lado mais egoísta (perfeitamente natural e inerente ao ser humano). É difícil, claro, mas possível. E quando se fala de egoísmo, fala-se em olharmos os outros sob o filtro das nossas opiniões, gostos e crenças pessoais. Segundo o que acreditarmos ser “o correcto”. Isso leva, rapidamente, a julgamentos, os quais não têm lugar numa relação empática. Ou seja, precisamos de olhar para a referida situação segundo o que é importante para aquela pessoa, mesmo não coincidindo com a nosso “ranking” de prioridades ou questões relevantes.

Enquanto simpatia se centra no dar alguma coisa – uma impressão, um sorriso, uma palavra agradável -, a empatia implica trocar e receber – experiência, sentimentos (isto de uma forma simplificada). Ser empático – admitamos -, não será das coisas mais divertidas de ser ou fazer. Envolve um carácter doloroso, uma vivência desagradável, mas uma segunda fase, uma finalidade que compensa tudo isso: o alívio e suporte do outro. Não estar, apenas, mas ser. Numa era em que a solidão nos envolve, tão facilmente, mesmo no mais tumultuoso e preenchido dos cenários, repletos de gente, “colocar-se no lugar do outro” (como comummente se diz mesmo não se praticando tanto assim), pode fazer a diferença, para fora e dentro de nós.

Escuta activa, mente aberta, e motivação para uma aprendizagem constante, são características que qualquer pessoa empática terá e, como se poderá entender melhor através das analogias deste – FANTÁSTICO – vídeo, a diferença tem tanto de notória quanto de necessária.

Empatia, precisa-se!

 

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