JUDY GARLAND: ALÉM DO ARCO-ÍRIS

JUDY GARLAND: ALÉM DO ARCO-ÍRIS

Ela marcou gerações de crianças, jovens e adultos durante décadas. Tornou-se uma das estrelas mais populares da história do cinema, e de quebra, uma das melhores cantoras da música norte-americana. Conheça agora a fabulosa vida de Judy Garland.

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Judy fotografada por Douglas Kirland em 1961.

Judy Garland nasceu Frances Ethel Gumm, no dia 10 de junho de 1922, em Grand Rapids, estado de Minnesota, interior dos Estados Unidos. A estrela de Judy começou a brilhar desde muito cedo, com 2 anos e meio ela subiu ao palco do pequeno teatro dos pais, pela primeira vez, ao lado das irmãs mais velhas. Para cantar “Jingle Bells” durante um show de natal. Desde então, nunca mais parou. Ao lado das irmãs Mary Jane e Dorothy Virginia, formou o trio musical The Sisters Gumm, que excursionou pelo interior do país dentro do circuito de vaudeville. A primeira aparição no cinema foi em 1929, num filme chamado Revue Big, mas sem importância. Em 1935, as irmãs foram aconselhadas a trocar o brejeiro nome The Sisters Gumm, por outro mais atraente: The Garland Sisters. Logo depois, a menina Frances trocou seu nome para Judy, adotando de vez o nome e o sobrenome que a tornariam conhecida em todo o mundo.

 

Em 1935, Judy assinou seu primeiro contrato com a poderosa MGM. Seu pai morrera quando ela tinha 13 anos, e com o advento do estrelato, Judy romperia relações com sua mãe, a dominadora Ethel Gumm. Sendo assim, Judy desde cedo tornou-se uma presa fácil para os produtores da MGM, que a usavam e abusavam o quanto podiam. Quando assinou seu primeiro contrato, com apenas 15 anos, o estúdio não sabia o que fazer com ela, pois era mais velha que as estrelas infantis da companhia, porém, muito jovem para interpretar papéis adultos. Ela também não se assemelhava nem um pouco com as divas glamourosas da MGM, como Greta Garbo, Joan Crawford ou Jean Harlow. O que acabou virando chacota e gerando piadinhas dentro do estúdio, que traumatizaram a jovem Judy pelo resto da vida. Ela ficou conhecido como “a garota da porta ao lado”.

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Durante seus primeiros anos no estúdio, Judy foi esnobada, só em 1937 a situação começou a ser revertida. Ela atraiu atenção dos executivos de outras companhias, depois de cantar um arranjo especial de “You Made Me Love You”, para Clark Gable (Dear MR. Gable), numa festa de aniversário realizada pelo estúdio para o ator. A interpretação de uma menininha apaixonada pelo astro da MGM, chamado “rei de Hollywood”, fez história. Chamou a atenção da indústria do entretenimento, e fez a concorrência cobiçar Judy. Para não perder sua promissora estrelinha, a MGM logo a escalou para uma série de pequenos musicais fundo de quintal, com medo de perdê-la para os outros estúdios. Contudo, agora o sucesso estava bem próximo.

Em 1939, Judy conseguiu o papel da inesquecível Dorothy Gale no antológico filme O Mágico de Oz (The Wizard of Oz), no qual eternizou a canção “Over The Rainbow”. A fábula da menininha que vai para a Cidade das Esmeraldas na estrada de tijolos amerelos foi aclamada pela crítica, e fez do filme um dos mais importantes da história do cinema. Apesar disso, pelo seu alto custo de produção, O Mágico de Oz não foi um sucesso de bilheteria. Ela não era a primeira opção do estúdio, o chefão da MGM, Louis B. Mayer, queria a estrela infantil da 20th Century Fox, Shirley Temple, mas ela não foi liberada e Judy acabou sendo escalada. Tinha 16 anos na época das filmagens e teve de usar de alguns recursos para disfarçar sua idade e parecer mais infantil. Na cerimônia do Oscar de 1940, ela recebeu uma estatueta juvenil pelos seu desempenho em 1939. Na sequência deste reconhecimento, Judy se tornou uma das maiores estrelas da MGM.

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O Mágico de Oz (1939)

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O Mágico de Oz (1939)

Após o sucesso estrondoso de O Mágico de Oz, o talento de Judy foi posto à prova em papéis adultos, que testaram seu talento dramático. Entre alguns musicais e filmes mais dramáticos, Judy fez a transição de estrela juvenil à atriz adulta com sucesso. Seu parceiro mais frequente era Mickey Rooney, juntos formaram uma dupla sensação, estrelando nove filmes juntos. Ela agora era a maior estrela da MGM, uma verdadeira mina de ouro para a companhia. Entre os muitos filmes desta época, os mais lembrados são os musicais Agora Seremos Felizes (Meet Me in St. Louis, 1944); um clássico dirigido por Vincente Minelli, no qual ela lançou três canções: “The Boy Next Door”, “The Trolley Song” e “Have Yourself a Merry Little Christimas”. O Pirata (The Pirate, 1947); também dirigido por Vincente Minelli, com Gene Kelly. Desfile de Páscoa (Easter Parade, 1948); no qual ela dança com Fred Astaire. E Casa, Comida e Carinho (Summer Stock, 1950); seu último filme pela MGM, no qual ela atuou novamente com Gene Kelly.

Judy Garland se casou pela primeira vez com o músico David Rose, em 1941. Na época, ela estava filmando Babes on Broadway e eles fugiram para poder se casar. Para sua família e o estúdio, deixou somente um bilhete que dizia: “Estou muito feliz por Dave e eu termos nos casado – dê-me um pouco de tempo e voltarei para terminar o filme com uma tomada por cena. – Amor, Judy”. Foi obrigada a voltar ao trabalho 24 horas depois. O episódio mostra o quanto a MGM dominava a sua vida. O casal acabou se divorciando em 1944. Seu segundo casamento foi com o diretor Vincente Minelli, com o qual teve sua primeira filha, Liza Minelli, nascida em 12 de março de 1946.

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Judy e a filha Liza Minelli ainda bebê.
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Durante os anos como contratada e estrela maior da MGM, Judy Garland tornou-se uma notória viciada em anfetaminas e barbitúricos, dependência da qual ela sofreria pelo resto da vida e viria a matá-la. Naquela época, o uso destas drogas era permitido e até estimulado em Hollywood, levando vários atores notívagos à dependência química. Os estúdios viviam povoados por atores doentes, drogados, surtados e sempre à beira de um ataque de nervos. Tudo isso, escondido sob a imagem da beleza e do glamour. Judy era incentivada a tomar anfetaminas para ter disposição e gravar, não comer, emagrecer, dormir. Um círculo vicioso que foi destruindo seu organismo e a levando à um estado de degradação lamentável. A história de Judy é um exemplo do que viria a acontecer anos depois com a diva Marilyn Monroe. Ela era explorada pela MGM, trabalhava demais, mais de 12 horas por dia; e como se não bastasse ainda tinha que driblar as investidas de Louis B. Mayer, que a assediava moral e sexualmente. Nos seus primeiros anos no estúdio, ele chegou a apelidá-la de “pequena corcunda”, numa tentativa de depreciá-la. Judy nunca se recuperou dos abusos que sofreu. Não importava o quão bela e glamourosa ela estivesse, era sempre insegura e incerta quanto a sua aparência, o que a fazia sofrer muito.

A saúde de Judy foi se deteriorando cada vez mais ao longo dos anos. Durante as filmagens de O Pirata, em 1947, ela chegou a sofrer um colapso mental, tendo sido internada num sanatório privado. Ela foi capaz de terminar o filme, mas dali pra frente, a situação decaiu ladeira abaixo. Nos próximos anos, ela não conseguiu começar ou terminar as gravações de três filmes. Em 17 de março de 1950, foi finalmente demitida da MGM. Após a demissão, Judy tentou o suicídio esfregando um copo de água quebrado contra a garganta. Para muitos, Judy Garland estava acabada.

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Judy se divorciou de Vicente Minelli em 1951. No mesmo ano, ela começou a primeira das muitas ressurreições que ainda teria ao longo da vida. Iniciou uma longa excursão pelos países do Reino Unido, tendo esgotado ingressos na Inglaterra, Escócia e Irlanda. A temporada no famoso teatro London Palladium durou todo o mês de abril, alcançando sucesso absoluto e sendo descrita como uma das mais grandiosas da história daquela casa. Na época, Judy já estava muito acima do peso, e foi muito criticada pela imprensa britânica. Apesar disso, foi aclamada em todos os lugares por onde passou. Em outubro do mesmo ano, Judy re-estreou o Broadway’s Palace Theatre, em Nova York, com um espetáculo de duas apresentações por dia, inspirado no estilo vaudeville. A temporada que durou meses, obteve um sucesso estrondoso e lhe rendeu um Tony especial por sua contribuição à revitalização do vaudeville.

Em maio de 1952, veio à tona que Ethel Gumm, a mãe de Judy, estava passando necessidades, trabalhando em um escritório por 61 dólares semanais. Ethel e Judy estavam afastadas havia anos, Judy tinha muito rancor da mãe e a acusava de má-administração e apropriação indevida do seu salário desde os primeiros anos da carreira. Em 5 de janeiro de 1953, Ethel foi encontrada morta no estacionamento da Douglas Aircraft Company. Judy ficou devastada.

Em 8 de junho de 1952, Judy Garland se casou com seu agente e empresário Sidney Luft. No mesmo ano, nasceu Lorna Luft, a primeira dos dois filhos do casal.

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Em 1954, Garland estava pronta para um retorno às telas. No luxuoso musical Nasce Uma Estrela (A Star is born); o seu primeiro filme após quatro anos de ausência, e o primeiro em cores do diretor George Cukor. Judy brilhou no papel de Esther Blodgett, uma aspirante à atriz que se torna uma estrela com o nome de Vicki Lester, mas tem que lidar com a decadência do marido que lhe ajudou a se tornar famosa, o astro Norman Maine (James Mason). Nasce Uma Estrela é a refilmagem do sucesso de 1937 com Janet Gaynor. O filme foi co-produzido pela Warner Bros. e a produtora de Judy e Luft, a Transcona Enterprises. Judy investiu muito alto no projeto, que custou muito caro e lhe rendeu vários prejuízos, apesar do sucesso absoluto de crítica e público. O filme se tornou um dos maiores musicais americanos de todos os tempos; a primorosa trilha sonora com música de Harold Arlen e Ira Gerswhin, inclui clássicos como “The Man That Got Away” e o incrível número musical “Born in a Trunk” (nascida em um tronco), que conta a história romanceada da própria Judy Garland.

Ela foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Nasce Uma Estrela, em 1955, e às vésperas da premiação, sua vitória já era dada como certa. Judy tinha acabado de dar à luz seu filho Joseph Luft, e não poderia comparecer a cerimônia de entrega dos prêmios da Academia. Então, uma equipe de televisão estava de prontidão no hospital, com câmeras e cabos para transmitir ao vivo o discurso de aceitação antecipada. Contudo, Grace Kelly acabou levando a estatueta para casa, por uma insossa atuação em Amar é Sofrer (The Country Girl). O episódio cômico, é conhecido como uma das maiores injustiças da história do Oscar, tendo sido descrito pelo espirituoso Groucho Marx, como “o maior roubo desde o Brink’s”. Judy sempre fazia piadas sobre o incidente, mas de verdade, jamais se conformou com a perda. Como compensação, ela ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz (comédia ou musical) por Nasce Uma Estrela.

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Poster de Nasce Uma Estrela (1954)

Até o fim dos anos 50, Judy seguiu fazendo turnês e apresentações bem sucedidas na Europa e na TV norte-americana. Tendo se apresentado em Los Angeles, Nova York, Londres e em todas as emissoras de TV dos Estados Unidos. O concerto no Carnegie Hall, no dia 23 de abril de 1961, foi um dos maiores, senão o maior êxito de toda sua carreira. O show inesquecível, foi descrito como “a maior noite da história do show business”. O álbum duplo ao vivo Judy at Carnegie Hall, lançado pela Capitol Records, ganhou o certificado de ouro, marcando presença por 95 semanas na parada Billboard, incluindo 13 semanas no número um. O álbum ganhou cinco prêmios Grammy, incluindo Álbum do Ano e Melhor Vocal Feminino do Ano.

 

No mesmo ano, Judy fez mais uma de suas muitas voltas, integrando o elenco do premiado filme Julgamento em Nuremberg (Judgment at Nuremberg); co-estrelado por Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich e Montgomery Clift, interpretando Irene Hoffman. Sua pequena, porém brilhante participação no filme, lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, e o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante, o qual acabou vencedora. Junto ao Globo de Ouro, ela também foi honrada em 1962 com o Prêmio Cecil B. DeMille, dado aqueles que se notabilizaram no cinema.

Em 29 de setembro de 1963, Judy estreou sua própria série de televisão semanal, The Judy Garland Show, na CBS. Após uma oferta de 24 milhões de dólares semanais, considerada “o maior negócio de talentos da história da TV”. Na época, Judy estava numa intrincada situação financeira, cheira de dívidas acumuladas com a Receita Federal, somado ao desastre financeiro de Nasce Uma Estrela. Deste modo, o programa seria uma forma de recuperar suas finanças e garantir seu futuro profissional. Apesar da carreira de glórias, Judy sempre teve de enfrentar os vários acidentes de percurso, que a punham em situações nada estáveis. The Judy Garland Show foi elogiado pela crítica, mas por uma variedade de razões (incluindo ter sido colocado no mesmo horário do hit Bonanza da NBC); o show durou apenas uma temporada e foi cancelado em 1964, após 26 episódios. Apesar da curta duração, a série foi indicada para quatro prêmios Emmy. O fim foi pessoal e financeiramente devastador para Judy, que nunca se recuperou deste fracasso.

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Poster de Julgamento em Nuremberg (1961)

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Judy e Marilyn Monroe na cerimônia do Globo de Ouro de 1962.

Seu último filme foi o drama Na Glória da Amargura (I Could Go on Singing, 1963); com Dick Bogarde. Um filme muito elogiado, que traz uma bela performance de Judy, interpretando um papel auto-biográfico e de quebra com boas canções, mas que não chegou a fazer grande sucesso de público.

O fim da série de TV a trouxe de volta aos palcos, e este seria o seu lugar até o fim da vida. Em 1964, se apresentou no London Palladium junto com sua filha Liza Minelli, então com 18 anos. O concerto foi televisionado pela emissora britânica ITV, neste que foi um dos últimos êxitos de sua carreira. Até o fim, Judy seguiu se apresentando em casas noturnas, boates e programas de televisão. Entre algumas turnês desastradas, e outras de maior sucesso. Judy também ensaiou possíveis voltas ao cinema, mas todas acabaram fracassando. Estava falida e muita endividada. A grande artista já era uma pálida sombra do que havia sido um dia.

Em 1965 divorciou-se de Sidney Luft e se casou novamente, desta vez com o ator Mark Herron. O relacionamento durou pouco e eles se separaram em 1967. No mesmo ano de sua morte, em 1969, Judy se casou com o playboy Mickey Deans, apenas três meses antes de morrer. Todos os relacionamentos de Judy foram minados pela instabilidade emocional da cantora e a degradação moral a que se submetia, sempre provocada pelo consumo de drogas, sua grande e maior inimiga.

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Judy e a filha Liza Minelli, em 1964.

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Em 22 de junho de 1969, Judy Garland foi encontrada morta por seu marido Mickey Deans, no banheiro de sua casa, em Londres. A autópsia declarou que Judy morrera devido a uma overdose acidental de barbitúricos. Seu velório foi acompanhado por mais de 20.000 pessoas, que lamentavam a morta da grande estrela do cinema e da música. Judy foi enterrada no Cemitério Ferncliff, em Hartsdale, estado de Nova York. Frank Sinatra pagou as despesas do funeral e afirmou sobre Judy: “Todos seram esquecidos, menos ela”.

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Marcas de Judy no cimento da calçada da fama do Teatro Chinês de Los Angeles.

Mesmo mais de 40 anos após sua morte, Judy Garland ainda é uma estrela amada e cultuada por fãs no mundo inteiro. Sua presença e influência nas artes é enorme e inegável. Judy foi uma artista de incrível versatilidade e perfeccionismo, tanto no cinema, quanto no teatro e música. Na comédia ou no drama. Judy foi e é até hoje uma das divas mais populares da história da cinema. Em 1999, o American Film Institute, a colocou no 8º lugar entre as 25 maiores atrizes do cinema norte-americano, à frente de outras divas como Marlene Dietrich, Joan Crawford e Rita Hayworth. Judy era uma artista de simpatia e carisma unânime, a eterna menininha que cresceu diante do público. Sua imagem está eternamente ligada à da infantil Dorothy Gale de O Mágico de Oz, filme que a eternizou e fincou uma lembrança positiva, alegre e romântica no perfil de Judy. A atriz também é considerada um dos maiores ícones gays, em parte, por causa da música tema do filme O Mágico de Oz, “Over the Rainbow”, que fala em ultrapassar o arco-íris e lutar pelos seus sonhos. A vida de Judy também representa o estereótipo clássico da “diva”, cheia de altos e baixos, fracassos e glórias. Suas canções se tornaram grandes clássicos, presentes até hoje na música; e alguns de seus filmes são antológicos na história do cinema. Judy Garland foi uma mulher problemática e instável, mas que conseguiu deixar o legado de uma artista inesquecível.

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