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COISAS QUE APRENDI CEDO-TARDE DEMAIS

COISAS QUE APRENDI CEDO-TARDE DEMAIS

Este texto não contém respostas para a vida.

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Não vale a pena mendigar amor. O tempo e a energia perdidos esperando que alguém nos ame não voltam, sobretudo quando ficamos esperando que a pessoa que escolhemos amar algum dia nos enxergue e passe a gostar de nós. Esse tempo e energia perdidos poderiam ser gastos em amor-próprio, autocuidado e crescimento. Em abertura para amar e se deixar amar. Não duvide: não vale a pena esperar. Precisamos construir um amor sadio, sem dar ao outro a supremacia do significado da vida.

O tempo não é tão importante assim. A ansiedade da pressa nos faz fechados de mente, portanto pouco criativos e de perspectivas completamente limitadas. Quanto mais nos preocupamos com o amanhã e como serão as coisas mais desperdiçamos tempo de construir esse futuro que desejamos no agora. A idade e as limitações impostas pelo tempo, de um modo ou de outro, sempre podem ser superadas. Não temos outro tempo. O tempo é sempre agora.

As pessoas não querem a verdade. A realidade não é bem aceita pelas pessoas. No máximo gostam de ouvir o que poderia vir a ser a verdade dos fatos e da vida, e como não faz diferença mesmo o que seja a realidade, por mais que infalíveis as nossas verdades, elas não servem para as outras pessoas se elas não quiserem. Portanto mesmo essa lista pode não ter nenhuma verdade – o que de minha parte será completamente compreensível. Não tentemos convencer ninguém das verdades que aprendemos.

Ninguém morre de medo. Não adianta ter medo, ele não impede que nada aconteça. Por mais medo que tenhamos do que quer que seja, o medo, por ele mesmo, não pode nos matar. Mesmo que sintamos ele nos tirar o fôlego, subir à garganta como nó, crises de ansiedade com vertigem e vômito, calafrios, mãos frias ou tremores, isso é apenas paralisante momentâneo, nunca para a morte. Não temos para onde correr, nos resta respirar fundo e enfrentar.

A religião pode ser destrutiva. Por mais benefícios que traga de ordem psicológica e social, a religião muitas vezes apenas prende o homem em conceitos de Deus e doutrinas, impedindo a verdadeira experiência com o Deus que vive dentro de cada um de nós. Não sejamos religiosos, mas descubramos a espiritualidade profunda que há em tudo que contém vida.

O silêncio é precioso. Quanto menos falamos mais compreendemos a nós mesmos e aos outros, além de melhor sermos compreendidos. Nas muitas palavras estão, quase sempre, o desespero, a angústia e o desconhecimento. Ouvir é um segredo de sabedoria que desperta a nossa sensibilidade, pratiquemos.

Discussões não servem para nada. Discutir por horas a fio, com longos textos ou falas, só nos retira energia e prova o nosso endurecimento para aceitar o que está além de nós, o outro. Pois ao defender peremptoriamente um ponto de vista esquecemos que estamos defendendo apenas a vista de um ponto. Se uma opinião nossa contém a síntese do que pensamos, uma vez dita, não há necessidade de ser defendida. Não discutamos, o importante não é ter razão, mas a felicidade e a paz.

As pessoas devem ser tratadas como espetáculos. Nos apegamos demasiado às pessoas, o que é compreensivelmente normal, no entanto toda pessoa, sobretudo aquelas que não estão em nosso círculo familiar, são apenas espetáculos apresentados diante de nós, muitos com hora e dia marcados para acabar. O amor pelo outro se manifesta na generosidade de deixá-lo partir quando assim o desejar, e não duvidemos: todos os espetáculos diante de nós irão partir.

O sofrimento dói menos quando o aceitamos. A rejeição ao sofrimento somente o prolonga, quando não o aceitamos e reagimos a ele a todo custo e modo, além de não aprendermos suas maravilhosas lições, tornamos a vida insustentável. É parte da resiliência nos abrirmos ao sofrimento como a melhor escola de melhoramento humano, pois produz paciência, autocontrole, dá novo significado à vida. E o mais importante: o sofrimento nos ensina o valor da felicidade.

A felicidade está no meio da vida. E não no seu fim. A felicidade não é o pote de ouro no fim do arco-íris da vida, não. O conjunto de coisas que fazemos diariamente em meio à vida deve nos permitir as experiências de felicidade. Deixá-la ao futuro, depois de obter isso ou aquilo, é negar-se à felicidade mais verdadeira, isto é aquela capaz de nos fazer querer viver mais. Experimentemos a felicidade do meio.

A vida não possui manual de ‘como fazer’. Nenhum ser humano, por mais espiritualizado, rico ou bem-sucedido em qualquer coisa que faça, pode nos dizer como deve ser a vida. Por isso somente cada um de nós, em separado, somos responsáveis por tecermos a tapeçaria da vida. Embora isso nos afete a todos na coletividade, é da intimidade de cada um decidir como irá gerir a sua existência.

Cedo ou tarde?

 

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