ESCURIDÃO JÁ VI PIOR

ESCURIDÃO JÁ VI PIOR

A desesperança permeia todo o trabalho de Renato Russo e a Legião Urbana, paradoxalmente, criando obras primas da esperança. Talvez, para garantir u uma gama de músicas para cantar nas noites mais escuras, até o sol raiar novamente.

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“Mais uma vez” (Mas é claro que o sol vai voltar amanhã…), é uma música de Renato Russo em parceria com o Flavio Venturini, lançada como o primeiro single do álbum “Sete”, da 14 Bis. Prestando atenção na letra, fiquei um tanto quanto consternado, pensando no Renato escrevendo e cantando essa música ao longo dos anos, lutando contra sua própria desesperança, a despeito do “mito do poeta” que é quase impossível desassociar.

Venturini conta que “estava ensaiando numa das salas do estúdio, tocando uma música inédita. O Renato entrou e pediu para escrever a letra… Eu disse ‘claro’! Ele escreveu baseado na idéia de que um pai dizia para o filho que o sol voltaria a brilhar depois da tempestade. Eu gostei da idéia, a gente conversou, e ele ficou de me entregar a letra. Eu mandei pra ele a base da música e três meses depois ele me entregou a letra.”

Três meses para fazer uma letra, acredito, como um conselho que precisava ser cantado todas as noites, entre remédios, arremedos, vícios, medos e, quem sabe, uma arma na mão. Lembro de fazer, na faculdade, uma análise dos jornais sobre a cobertura da morte do Renato Russo. E ficou extremamente claro a bolha criada para evitar falar sobre suicídio, para que não houvesse um efeito dominó entre os fãs. Obviamente, o jornalismo falhou miseravelmente nessa questão, mais uma vez. O “não falar” nunca evitou nada. Uma simples olhada em alguns hits garantiria uma boa pauta frente a comoção na época.

Discordo que “quem acredita sempre alcança”. Mas sei que “tem gente enganando a gente” o tempo todo. “Tem gente que machuca os outros. Tem gente que não sabe amar” e quase todos nós já estivemos nesse grupo – as vezes flertando com ele ainda hoje. Tem gente que tá aqui do lado “mas deveria estar do lado de lá”. As vezes somos nós que devemos passar pro outro lado. E, vou te falar, todos nós já vimos “escuridão pior, de endoidecer gente sã”. E justamente por isso, se puder, compartilhar algo simplório, mas de realidade palpável, “espera que o sol já vem… é claro que o sol vai voltar amanhã”.

“Um dia a gente aprende”. E aprende a espera(nça) juntos.

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Autor: fcrissilva

"Eu sou o tudo. Eu sou o Nada. Sou os livros que li, os momentos que passei, eu sou os brinquedos que brinquei, e os amigos que conquistei. Sou o amor que dei, e os amores que tive, as viagens que fiz, e os esportes que pratiquei. Sou minha matéria preferida, minha comida predileta, essa sou eu...eu mesma, será que vais entender? Sou o ódio resguardado, sou os sonhos realizados, os objetivos alcançados. Eu sou o meu interior, mas tambem meu exterior. Sou um conjuntos de fatores que você não pode entender. Sou a saudade, os abraços que já dei, eu sou o passado, mas também o presente e o futuro, sou os meus atos. Sou o perfeito, Mas também sou o imperfeito. Sou o contraste e a contradição. Sou a complexidade do mundo. SOU O QUE NINGUEM VÊ."

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