POR QUE A MÍDIA NÃO GOSTA DE DONALD TRUMP?

POR QUE A MÍDIA NÃO GOSTA DE DONALD TRUMP?

Se quisermos entender as razões da atual ofensiva midiática global contra Trump, devemos deslocar o foco de questões morais para nos atermos a poderosos interesses econômicos.

guerratrump.jpg

O velho Leonel Brizola já dizia que, quando você tiver dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atente: se a Rede Globo for a favor, seja contra. Se for contra, seja a favor. A clássica frase do político gaúcho pode ser utilizada, em parte, para refletirmos sobre o porquê de a grande mídia brasileira e seus congêneres estrangeiros apresentarem tantas matérias negativas sobre o recém-empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trunp.

É fato que as ideias misóginas e xenófobas de Trump não merecem qualquer tipo de apoio. Todavia, não são estes os reais motivos para tanto ojeriza por parte dos principais veículos de comunicação em relação ao novo mandatário da Casa Branca.

Até mesmo porque, em uma sociedade conservadora como a estadunidense, em que o fundamentalismo cristão cada vez mais tem angariado um grande número de adeptos, práticas misóginas não são tão incomuns assim. Não obstante, sobretudo no contexto geopolítico pós-11 de setembro, a xenofobia tem crescido vertiginosamente no país do Tio Sam.

ctrump.jpg

Nesse sentido, se quisermos entender as razões da atual ofensiva midiática global contra Trump, devemos deslocar o foco de questões morais para nos atermos a poderosos interesses econômicos.

A ascensão de Trump (e de outros políticos com posições ideológicas próximas a extrema-direita como Marine Le Pen na França) é consequência direta da crise crônica pela qual passa o sistema capitalista desde o colapso do sistema financeiro há nove anos.

No caso estadunidense, havia dois projeto bem definidos de política econômica nas eleições presidenciais do ano passado.

Com um discurso de forte caráter anti-globalização, o republicano Donald Trump defendia medidas protecionistas, questionava acordos comerciais com outras nações e propunha as valorizações da mão-de-obra e de mercadorias nacionais em detrimento da concorrência estrangeira.

Por outro lado, a democrata Hilary Clinton apregoava o livre-comércio, a livre circulação de capitais e uma política externa mais agressiva, ou seja, uma maior intervenção dos Estados Unidos em outros países, sobretudo no Oriente Médio.

Não é difícil inferir que Hilary era a preferida do mercado e, consequentemente, dos poderosos conglomerados midiáticos.

blog-152.jpeg

Sendo assim, os principais capitalistas dos Estados Unidos fecharam com a candidatura Clinton para que os seus negócios pudessem fluir livremente sem nenhum tipo de entrave estatal e as grandes empresas continuassem a migrar constantemente para outros territórios a fim de minimizarem os seus custos de produção.

Outra questão a ser mencionada é o fato de Donald Trump bater de frente com a grande mídia e denunciar em entrevistas as tentativas de manipulação da realidade e a postura altamente tendenciosa dos principais canais de TV, redes de rádio, jornais e revistas.

Portanto, não faltam motivos para as representações midiáticas negativas sobre Trump, mas, como em toda prática ideológica, as reais intenções são sempre escamoteadas. A partir de relatos de psiquiatras, algumas publicações questionam, inclusive, se ele teria a sanidade mental suficiente para chefiar o executivo estadunidense.

le-pen.jpg

É importante frisar que este artigo não se trata de uma apologia a Trump. Longe disso. É preciso evitar posicionamentos maniqueístas. O fato de Donald Trump ser de alguma forma “adversário” dos grandes capitalistas não faz com que ele esteja do lado da classe trabalhadora ou dos setores excluídos da sociedade.

Ironicamente, neste momento de crise econômica, o proletariado dos países desenvolvidos tem aderido ao populismo de direita e seus discursos reacionários com propostas simplistas para solucionar problemas complexos como as falências de empresas e os altos índices de desemprego.

Nosso intuito neste texto foi somente ressaltar a necessidade de se manter um certo ceticismo frente às coberturas geopolíticas da mídia. Devemos, portanto, enxergar além do que parece óbvio, contextualizar os acontecimentos, analisar todas as possibilidades e desconfiar de supostas posturas altruístas, pois, parafraseando um conhecido ditado popular, de boas intenções, a mídia está cheia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s