SARTRE E A LIBERDADE

SARTRE E A LIBERDADE

Pequeno texto sobre a concepção de um tema complexo – liberdade – sob a ótica do existencialismo, mais especificamente de Sartre. Tal visão, influenciou diretamente no nosso modo de ver o mundo, principalmente no que se refere aos valores morais de uma sociedade.

Sartre foi um filósofo parisiense, sendo um expoente do existencialismo e reconhecido mundialmente por suas opiniões políticas e vida particular. Esteve em um relacionamento aberto que durou 51 anos (até sua morte) com a escritora e filósofa, Simone Beauvoir. É considerado um ícone pop da filosofia, por sua vida boêmia e agitada, pelas opiniões progressistas e por abordar temas em sua filosofia que causaram e causam profundo interesse em uma sociedade e principalmente, em uma juventude modernista e agora, pós-moderna.

“O homem está condenado a ser livre”, já diria Sartre. Liberdade: valor, princípio, palavra que foi objeto de discussão e reflexão de vários filósofos ao longo dos tempos. Porém, todos eles concordam que a liberdade é a ausência de submissão e de servidão, possibilitando a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional.

“Mas como o existencialismo vê a liberdade?”. A priori é importante entendermos o existencialismo como uma corrente filosófica que acredita que não há ordem no universo (em despeito a maioria das correntes que estabelece uma). Portanto, como não há ordem no universo, também não há objetivos certos ou errados, por isso os indivíduos são livres para viver sua própria vida de acordo com suas próprias escolhas e é nisso que consiste a liberdade sartreana.

guiaespiritual.jpg

Porém, essa liberdade traz consigo um grande ônus. Será o homem responsável por suas escolhas e ações, devendo colher todos os bons “frutos” oriundos de suas escolhas e, sobretudo aquilo que lhe for negativo. Apesar de tudo, é essa liberdade que permite nos definirmos enquanto sujeitos. Para a maioria dos filósofos (que corroboram com a noção aristotélica) tudo aquilo que compõe a natureza possui uma essência, desde antes sua própria existência. Para Sartre e o existencialismo não, pelo contrário “a existência precede a essência”, ou seja, primeiro existimos para depois usufruindo dessa “pena de liberdade” construirmos a nossa essência.

Embora, traga essa noção de plena liberdade, a filosofia de Sartre não é uma negação completa de valores morais, pelo contrário. O próprio filósofo na famosa conferência “O existencialismo é um humanismo” afirma que sua filosofia “não pode ser refúgio para os que procuram o escândalo, a inconsequência e a desordem”. Portanto, de certa forma o existencialismo reconhece uma “moral laica” em que os valores humanos existem, mas sem a necessidade de uma “moral divina”.

Anúncios

Um comentário em “SARTRE E A LIBERDADE

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s