SENSIBILIDADE, UM DOM DE POUCOS

SENSIBILIDADE, UM DOM DE POUCOS

Por que Tolstoi foi Tolstoi? Ou melhor, como Tolstoi conseguiu escrever o que escreveu? Ou então Victor Hugo? Ou então Miguel Cervantes? Ou então Goethe? Ou então Machado de Assis? Ou então Kafka? Como esses sujeitinhos tiveram a capacidade de expressar tantos sentimentos, situações e pensamentos humanos e de maneira tão viva e transformadora?

ilya_efimovich_repin_1844-1930_-_portrait_of_leo_tolstoy_1887.jpg Tolstoi, autor de Guerra e Paz e de Anna Karenina

Victor.jpg Victor Hugo, autor de Os Miseráveis

ma_iconografia1.jpg Nosso querido Machado de Assis

Já busquei a resposta inúmeras vezes. Teriam eles alguma capacidade especial, ou seria apenas fruto de muito trabalho? Um grande amigo certa vez me disse ser a sensibilidade a grande diferença entre os grandes escritores e as pessoas “meramente comuns”. Achei essa resposta bastante convincente.

Pouquíssimas pessoas teriam capacidade de escrever, por exemplo, Grandes Expectativas. Somente um espírito aguçado e extremamente sensível às relações humanas e às formas como as pessoas de realidades sociais distintas interagem como o de Dickens poderia, de forma tão realista, narrar a estória de Pip.

dickens_adulto.jpg O grande Charles Dickens

Há um certo senso comum impregnado em quase todo mundo (suspeito e já ouvi dizer ser decorrência de ideias de Nietzsche, outro com indubitável sensibilidade ao mundo) de que qualquer indivíduo, com empenho e esforço próprio suficiente, poderia chegar aonde quisesse e, por exemplo, escrever um grande clássico. Mas duvido, com todas as forças, que haja 5 vivalmas capazes de escrever um livro do porte e da profundidade sentimental de Crime e Castigo, de Dostoievski.

Dostoevskij_1872.jpg Dostoievski, cuja sensibilidade é inigualável

Trata-se de um dom: o dom da sensibilidade. Pouquíssimos o têm. Parte significativa dos autores destaca-se por uma sensibilidade um pouco maior que a média e por muito esforço. Não se pode negar ser o esforço importante, pois a sensibilidade, sozinha, não leva a lugar nenhum. Mas os grandes autores, os clássicos, aqueles que jamais serão esquecidos, além de esforço, podemos ter certeza de que tinham uma sensibilidade absurda. Pode até ser que muitos deles tenham sido infelizes por esse motivo.

fotos-edgar-allan-poe-1.jpg Allan Poe, dono de uma sensibilidade que talvez tenha arruinado sua vida

Muito se diz que essa sensibilidade nasce de uma vida atribulada e cheia de sofrimentos. Salinger, outro com uma sensibilidade descomunal, discorda disso e menciona Walt Withman, talvez o maior poeta norte-americano, como exemplo de vida pacata e comum, mas cujos versos influenciaram e influenciam inúmeros poetas.

Walt-Whitman.jpg Walt Whithman, de Leaves of Grass

A nós, meras pessoas com sensibilidade comum, cabe desfrutar da leitura e dos dons dos grandes escritores.

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