AULA DE DANÇA DO JAMIROQUAI

AULA DE DANÇA DO JAMIROQUAI

Depois de anos sem lançar nada, os ingleses voltam com delicioso álbum informado pela disco music

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No início dos anos 90, Jason Kay fez teste para vocalista do Brand New Heavies, mas não foi aceito. Embora a cena fosse a do então crescentemente influente acid jazz, Jay Kay imbui-se do espírito “faça você mesmo” do punk e criou sua própria banda, o Jamiroquai, de cuja formação inicial só resta o cantor (o tecladista Toby Smith morreu ainda outro dia. RIP). O sucesso do single de estreia por um selo independente levou a Sony Music a oferecer contrato de oito álbuns para os ingleses. Isso diz algo sobre o prestígio comercial de que o acid jazz desfrutava. Em 1993, saiu o álbum-debutante, Emergency On Planet Earth, e daí adiante o grupo teve carreira, se não de megaestrelato, mas de bastante sucesso de crítica e público, incorporando estilos e deixando o acid jazz de lado. Esse termo sequer é muito utilizado hoje.

Após interrupção de 7 anos, dia 31 de março saiu o oitavo LP de inéditas, Automaton, que chegou ao quarto lugar na Inglaterra, descolou um primeiro na Itália e arranhou os fundilhos da Billboard Hot 100; mas quem disse que artista estrangeiro faz sucesso fácil no quase hermético mercadão ianque? Com o passado acid jazz jazendo literalmente em outra geração, o maduro Jamiroquai voltou com dúzia de canções funk e Nu Disco, pós-Random Access Memories, influente álbum do Daft Punk.

A influência do grupo francês é grande na abertura Shake It On e a partir daí, grosso modo, sucedem-se sete faixas informadas por diferentes aspectos da disco music, porque, quem disse que era tudo igual? Andrea True Connection era uma coisa; Sister Sledge, outra. Difícil ficar sem sacolejar ao som do disco-funk à Chic, Cloud 9 ou da sensacional Superfresh, que não deixa de bater continência aos Bee Gees em sua fase discotheque. Hot Property é funk semifuturista com moça falando em língua europeia oriental. Summer Girl tem clima Club Tropicana de deixar Wham e Kylie Minogue orgulhosos. George Michael deve estar dançando no céu.

Nesse primeiro bloco funkeado e de canções mais curtas e radiofonicamente acessíveis, a exceção fica por conta da faixa-título Automaton. O terreno aí é puro funk futurista, filhote de Dee D. Jackson, relido via electro. Remete direto para a eurodance oitentista de Sandra e seu marido Michael Cretu, os Video Kids (woodpeckers from space, he he he he!), voz digitalizada à Kraftwerk-Electric Café (1986). Será que o “eyes without a face” da letra é referência proposital ao maior sucesso de Billy Idol?

As cinco faixas finais são mais longas e verdadeiras aulas de groove construindo canções lotadas de detalhes, repetições e fontes originárias. Nights Out In The Jungle e Dr. Buzz têm clima acid jazz e/ou funk, mas ao fundo você se depara com uma guitarrinha rockada de leve. E em We Can do It, a voz de Jay Kay está tão Sting cantando Roxanne!

Maturidade e abrangência do escopo só fizeram bem ao Jamiroquai, que entregou um álbum sonoramente sofisticado e muito balouçante.

 

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