NÃO AJUDE DEMAIS QUEM VOCÊ AMA!

NÃO AJUDE DEMAIS QUEM VOCÊ AMA!

Ajudar demais alguém pode inibir seu instinto de sobrevivência. Quem muito ajuda, mais acaba atrapalhando, do que verdadeiramente fazendo uma boa ação.

nao ajude demais quem voce ama2.jpg

Ajudar demais alguém pode inibir seu instinto de sobrevivência. Quem muito ajuda, mais acaba atrapalhando, do que verdadeiramente fazendo uma boa ação.

Observando e refletindo sobre a própria vida, o que me parece é que, muitas vezes, quem menos ajuda recebe, mais forte se torna. Enquanto pessoas que se acostumam a receber ajuda constantemente se acomodam no benefício, os que recebem ajuda de menos, acabam por esforçar-se para superar todos os obstáculos, sejam eles quais forem.

Gosto de analisar a relação entre pais e filhos, bem como de marido e mulher e ainda entre amigos. Quando há um que muito faz, é comum que o outro (a) faça cada vez menos. E pior, que natural e inconscientemente, se habitue a isto.

Por que será que por vezes, quando alguém se divorcia, se torna melhor? Muitas pessoas, após o divórcio, tendem a melhorar a aparência, o trabalho e buscam novas atividades, se melhorando drasticamente. Muitos motivos podem existir para isso. Mas creio que um deles, é não haver mais o “outro (a) ” para culpar por todas as suas fraquezas e que ao mesmo tempo em tudo o (a) ajudava. A pessoa retoma seu instinto de sobrevivência.

De forma inconsciente, depositamos em nossos parceiros todas as frustrações de nossas vidas. Jogamos a culpa naquele (a) que está mais perto, tirando de nós mesmos, a possibilidade do autoconhecimento e a possibilidade de autodesenvolvimento. Se há um culpado (a), não há a necessidade de se redimir ou se melhorar em nada.

Alguém que está casado e insatisfeito com a própria vida pode olhar a pia cheia de louça suja e esperar que o companheiro (a) se responsabilize por ela, bem como pelo pagamento das contas da casa. A pessoa mais insatisfeita acaba fazendo o papel do que reclama e critica. O que é mais passivo, por fim, fica no papel do que mais carrega e se desenvolve para suprir a si e ao outro (a). Este segundo, acaba ajudando mais e recebendo menos, mas ao mesmo tempo é o que se desenvolve e se torna mais forte.

Uma pessoa que se habituou a morar sozinha, nunca irá esperar que alguém vá por ela ao supermercado, ao banco ou simplesmente que faça a limpeza da casa. Alguém que vive o dia-a-dia sozinho, sabe que irá resolver todos os problemas sozinho e não espera que alguém o faça. De certa maneira, esta pessoa se torna mais independente e autossuficiente.

Um pai ou uma mãe que desde a infância protege seu filho de tudo, também retira dele a possibilidade de aprender a lidar com as adversidades da vida. Quando adultos, esses filhos terão dificuldade em enfrentar os problemas da vida em sociedade, pois num dia ruim, não haverá o pai ou a mãe para protegê-lo.

Sou de uma geração que fez por tudo por seus filhos e sou a primeira a me auto criticar pelo excesso de cuidados e presentes. Quando fazemos demais, tiramos a possibilidade de nossos filhos de aprenderem a fazer por si mesmos. Na ilusão de que estamos ajudando e cuidando, acabamos por criar dificuldades futuras em suas vidas adultas.

Até mesmo uma relação de amizade pode vir a ser prejudicial, se há alguém que muito ajuda. Quando passamos a mão na cabeça de um amigo por vezes seguidas, quando o mesmo está sendo auto piedoso, acabamos por alimentar uma das piores atitudes que um ser humano pode ter em relação a si mesmo: a auto piedade.

Apesar de perceber que as pessoas que se habituam a viver sozinhas parecem se tornar mais fortes, também acredito que o autoconhecimento e consciência sobre o equilíbrio entre tarefas, da culpabilidade ao próximo por frustrações, além da vitimização, podem trazer benefícios a todo tipo de relacionamento, interrompendo-se o ajudar em excesso. Se sou o que reclama e espera do outro o tempo todo, paro de reclamar e começo a agir. Se sou o que mais faço e ajudo o tempo todo, paro de ajudar e começo a dividir as tarefas.

Ajudar demais atrapalha. Tira o instinto de sobrevivência do próximo e a chance do mesmo de crescer e se desenvolver como ser humano.

Uma mãe que ama tem que saber dizer não ao seu filho. E o mesmo serve para um homem ou uma mulher que espera ter um relacionamento duradouro e feliz.

Ninguém deve carregar o piano enquanto o outro leva o banquinho. Ou ainda pior, senta em cima do piano, reclamando da vida.

Amor próprio e amor ao próximo, seja para com meu filho ou a pessoa que eu amo, deve exigir bom senso e equilíbrio.

Ajudar menos pode significar bem mais.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s